O Blog Do Mendes

Reader’s Digest

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em January 30th, 2008

Fado-revista.  As selecções do reader’s digest ofereciam (se calhar ainda oferecem), num produto práctico e compacto, toda uma maneira de estar na vida. É assim como uma espécie de caldo knorr literário.

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Reader’s Digest

Quero a vida pacata que acata o destino sem desatino
Sem birra nem mossa, que só coça quando lhe dá comichão
À frente uma estrada, não muito encurvada atrás a carroça
grande e grossa que eu  possa arrastar sem fazer pó no chão

e já agora a gravata, com o nó que me ata bem o pescoço
para que o alvoroço, o tremoço e o almoço demorem a entrar
quero ter um sofá e no peito um crachá quero ser funcionário
com cargo honorário e carga de horário e um ponto a picar

vou dizer que sim, ser assim assim, assinar a reader’s digest
haja este sonho que desde rebento acalento em mim
ter mulher fiel, filhos, fado, anel,  e lua de mel em frança
abrandando a dança,  descansado até ao fim 

quero ter um t1, ter um cão e um gato e um fato escuro
barbear e rosto, pagar o imposto, disposto a tanto
quem sabe amiude brindar à saude com um copo de vinho,
saudar o vizinho, acender uma vela ao santo

quero vida pacata pataca gravata sapato barato
basta na boca uma sopa com pão com cupão de desconto
emprego, sossego, renego o chamego e faço de conta
fato janota, quota na conta e a nota de conto

vou dizer que sim ser assim assim assinar a reader’s digest
haja este sonho que desde rebento acalento em mim
ter mulher fiel, filhos, fado, anel,  e lua de mel em frança
abrandando a dança,  descansado até ao fim

Mais papelada

Publicado em Entrevistas por miguelaj em January 29th, 2008

No jornal “notícias da manha” e no “póvoa semanário“, sobre a “rádio alegria”

Banco de Jardim

Publicado em Azeitonas por miguelaj em January 27th, 2008

Parte da Rádio Alegria. Esta é um quasi-plágio ordinário de uma música dos beach boys chamada “surfer girl”.

 

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BANCO DE JARDIM

NUM REPENTE DE EMOÇÃO
DISPAROU MEU CORAÇÃO
O TEU RECADO ERA PARA MIM
É DE TI QUE EU GOSTO
NÃO FALTO AO TEU RENDEZ-VOUS
SEIS DA TARDE, BANCO DE JARDIM

PUS-ME LOGO A SONHAR
COREI SÓ DE IMAGINAR
NÓS OS DOIS NO BANCO DE JARDIM
DECOREI O QUE DIZER
VESTI ROUPA A CONDIZER
ROUBEI FLORES DO JARDIM

A SOLIDÃO NUM INSTANTE ERA BREVE ILUSÃO DE UM AMOR
COMO SE ESSE AMOR DE REPENTE FOSSE TAMBÉM UM BEM AO MEU DISPOR

QUANTOS DESTINOS DE CRUZAM ASSIM
QUANTOS ROMANCES SE ACENDEM ASSIM
AO CAIR DA TARDE NUM BANCO DE JARDIM
QUANTOS DESTINOS DE CRUZAM ASSIM
QUANTOS ROMANCES SE ACENDEM ASSIM
AO CAIR DA TARDE NUM BANCO DE JARDIM

A LUA SUBIU DE TOM E ANOITECEU
ELA NEM APARECEU
MAIS UM SONHO SE DESFAZ ASSIM
DESFIZ A MINHA ILUSÃO
E GRAVEI UM CORAÇÃO
A CANIVETE NO BANCO DE JARDIM

A SOLIDÃO DE REPENTE ERA A MINHA CANÇÃO DE LANGOR
COMO SE O AMOR, NOVAMENTE, FOSSE UM ESTRANHO , UM DESERTOR

QUANTOS ROMANCES ACABAM ASSIM
ANTES DE SER, CHEGAM AO FIM
COMO O MEU E TEU NUM BANCO DE JARDIM

Sílvia Alberto

Publicado em Azeitonas por miguelaj em January 27th, 2008

Sílvia alberto pouco tempo após o parto. Salvo seja. Ainda lhe faltava nascer um refrão. Mais tarde gravada pela minha banda de pop-rock quase-famosa.

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Sílvia Alberto

SEI QUE  JÁ NÃO POSSO MAIS
ESCONDER O SENTIMENTO
SINTO QUE O MEU CORAÇÃO
REBENTA A QUALQUER MOMENTO

SILVIA, GOSTO DE TI
E JURO QUE NÃO DEIXO
SE UM DIA QUISERES TIRAR
ESSE TEU SINAL NO QUEIXO

VAIS TER QUE ME DESCULPAR
ESTA HUMILDE CONFISSÃO
NADA MAIS TENHO PRA TE DAR
DO QUE ESTA POBRE CANÇÃO

SEI QUE  SÓ VOU SER FELIZ
QUANDO ESTIVERMOS BEM PERTO
OUVE BEM O QUE TE DIZ
UM CORAÇÃO ABERTO
Ó SILVIA, Ó SILVIA ALBERTO

TEU SORRISO, SABES BEM
É O MEU ABRIGO
SE ALGUEM TO TENTAR ROUBAR
VAI TER QUE SE HAVER COMIGO

SILVIA TU ÉS A RAZÃO
QUE ME FAZ ACORDAR DE MANHÃ
UM DIA AINDA GANHO CORAGEM
E SALTO PARA DENTRO DO ECRÃ

SILVIA VAIS DESCULPAR
ESTA HUMILDE CONFISSÃO
NADA MAIS TENHO PRA TE DAR
DO QUE ESTA POBRE CANÇÃO

SEI QUE  SÓ VOU SER FELIZ
QUANDO ESTIVERMOS BEM PERTO
OUVE BEM O QUE TE DIZ
UM CORAÇÃO ABERTO
Ó SILVIA, Ó SILVIA ALBERTO

Viriato

Publicado em Etcaetera por miguelaj em January 21st, 2008

O meu amigo manu e eu criámos uma banda desenhada. São as aventuras de Viriato em busca da felicidade, (des)ajudado por seu único amigo, Barcelos o galo.

Eu faço os textos e o manu faz os desenhos, brilhantemente ilustrados no potentíssimo “paint”, do windows.

O viriato é uma ramificação do blog “partem tudo”, do qual fazemos parte.

Viriato e Barcelos 

Bolsa de Amores

Publicado em Azeite Excedentário por miguelaj em January 18th, 2008

Um vira que gravámos no CD da minha banda quase-famosa mas depois decidimos não incluir. Bob Dylan meets rancho folclórico de baião. Reparei agora que com esta harmonica os primeiros 43 nano-segundos parecem o love me do, mas depois o ritmo minhoto despista a semelhança.

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Bolsa de Amores

Perguntei ao corretor
onde podia aplicar
os excedentes do amor
que eu tinha andado a poupar

investi tudo em acções
cotadas a um bom valor
mas não quis obrigações
e passei-as ao portador

joguei na bolsa de amores
sem conhecer o mercado
só ganhei dissabores
e um coração hipotecado

no mercado de futuros
joguei em novos valores
há que jogar pelo seguro
nesta bolsa dos amores

só que o valor facial
sofre depreciações
e o longo prazo é fatal
quem vê caras não vê cotações

joguei na bolsa de amores
sem conhecer o mercado
só ganhei dissabores
e um coração hipotecado

se o capital aumentar
por liquidez em retenção
é o passivo a engordar
e a baixar a cotação

é como moeda ao ar
o mercado é mesmo assim
a cara em que eu fui apostar
já era coroa no fim

a aplicação financeira
sempre pode ser trocada
mas a que eu trago em carteira
essa, ninguém quer nem dada

joguei na bolsa de amores
sem conhecer o mercado
só ganhei dissabores
e um coração hipotecado

fiei-me nos fiadores
ouvi juras semestrais
joguei na bolsa de amores
jurei para nunca mais

O homem em mim

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em January 13th, 2008

Para quando uma pessoa se esquece dos anos da catraia.

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O Homem em Mim

Em mim há um homem que
É capaz de tudo por ti
Traz-te um chocolate
E flores do jardim

À hora certa traz um piropo
Que te faz sempre encabular
Abre-te todas as portas
Cede-te sempre o lugar

É assim
é assim
O homem em mim

Em mim há um homem que
Sabe sempre o seu lugar
Sabe muitas coisas
E a hora certa de chegar

Em mim há um homem que
Tem sempre uma solução
Planos contingentes
E um mapa na mão

É assim
é assim
O homem em mim

Mas olhando com cuidado
Dentro do homem em mim
Mora um menino estouvado
Em pequeno benjamim
Sem horas para nada
E que se esquece do teu dia de anos
Na cabeça só tem um soalheiro jardim
Eu no fundo desconfio
(tenho cá para mim)

Que é assim
é assim
Que tu gostas de mim

Porque é assim
é assim
O homem em mim

Todas as noites o meu amor vem da rua com um presente

Publicado em Azeite Excedentário por miguelaj em January 13th, 2008
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Todas as noites o meu amor vem da rua com um presente

Todas as noites, o meu amor
Vem da rua com um presente
Ás vezes traz um perfume
A vinho e aguardente
Ás vezes traz-me uma rosa
Em cada face a brilhar
E vem sempre com um sorriso
Que não tinha ao acordar

Todas as noites, o meu amor
Vem da rua com um presente
Uma camisa de marca
Com marcas de batom
Às vezes traz-me um cartão
A bater do plafond
E quando eu acho que já quase
Nada me pode espantar
Traz-me sempre o mesmo doce
Amargo de voltar

Todas as noites, o meu amor
Vem da rua com um presente
Às vezes vem com um livro
De cheques sem provisão
Há vezes que vem com uma jóia
De um amigo de ocasião
Mas quase sempre é um perfume
De outra mulher diferente
Todas as noites, o meu amor
Vem da rua com um presente

Lisboa não é Hollywood

Publicado em Azeite Excedentário por miguelaj em January 13th, 2008

O título é roubado de um dos episódios do Duarte e Companhia. A música é sobre o rise and fall no star-system português. Homenagem a Cândida Branca Flôr, respeitosamente.

 

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lisboa não é hollywood

chega candida de capeline
como ela respira saúde
quase que parece a marylin
a chegar a hollywood

mas sem tapetes encarnados
sob os seus pés de dama
e seus sapatinhos delicados
apenas pisam na lama

Lisboa é paleio de aljube
por entre ruas esquinas
também tem suas colinas
mas lisboa não é hollywood

como ela cai na trama
e esbanja a sua virtude
pelo passeio da fama
mas lisboa não é hollywood

candida na solidão
de capeline, rouge e batom
não foi parar ao panteão
morreu na vala comum