O Blog Do Mendes

Desdita

Publicado em Penas de Pato por miguelaj em January 7th, 2010

DESDITA

Desdita

Ouvi da minha desdita

Certo dia em que eu passei

Numa ruela tão estreita

Onde fica, já nem sei

Calhou de estar à janela

Nessa dia àquela hora

A criatura tão bela

Que naquela casa mora

Delicada de cintura

E com setas no olhar

Viu-me naquela  figura

E a sorrir mandou-me entrar

Nesse dia a mesma hora

Não chegou pelo jantar

O fiador da cidade

Lá o foram procurar

Veio dar ao pé rio

Sem roupas, sem cor, desfeito

Com as vergonhas de fora

E três facadas no peito

Por nunca ter um tostão

Fui o primeiro suspeito

Fui nomeado  vilão

Naquele golpe perfeito

E logo de manhazinha

Ao juiz eu fui chamado

E qual não foi o meu espanto

Eu já lá tinha estado

Era aquela tal  ruela

Estreita como a minha sorte

Sem ter ninguém à janela

Desta vez bati à porta

Sem nada que desculpasse

Obra que eu não assinei

Fosse qual fosse o desfecho

Nada tinha contra a lei

O meu alibi ficou preso

Num nó da minha garganta

Sei que se põe à janela

Se houver sol, ainda canta

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