O Blog Do Mendes

Viri’s Theme

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em March 20th, 2008

O blog do Mendes tem andado muito parado, por motivos de mudança de casa do Vosso blogger. Quando o Vosso blogger assentar arrais em novo poiso, a actividade voltará ao normal.

Entretanto, publico aqui a B.S.O. (banda sonora original) de Viriato & Barcelos, a B.D. da qual orgulhosamento sou co-autor.

Foi a primeira música instrumental que fiz na vida, aqui está ela:

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Costureira da Sé

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em February 5th, 2008

Conheci o João no liceu. Tinhamos 15 anos e a malta juntava-se em casa do Pedro para tocar as nossas versões de Pantera e Sepultura. Depois o João saiu, e veio a primeira banda que eu tive com o marlon, os yellow jello. Depois vieram os tsé tsé. Gravamos um disco na BMG do tozé brito. Foi um disco revolucionário, que de certa forma antecipou o paradigma digital que se avizinhava: o dos Cds que não vendem. A sala de ensaisos do pedro hibernou depois disso. Agora o joão continua a ensaiar na sala do pedro via fading commission, e nas horas vagas vem dar uma canja com os azeites. Sucede que ele é neto de um dos grandes baluartes do nacional cancionetismo. A Maria Clara é avó do joão. Sou grande fã das músicas dela, bem como do género musical a que a associam. Geralmente, o chamado “nacional-cançonetismo” é associado à música do regime, mas eu como nasci em 1978, para mim o regime é quando se corta nos doces e nos hidratos de carbono. Gosto tanto do Zeca Afonso como do João Ferreira Rosa. De todas as musicas que eu ouvi da Maria Clara, entre “Figueira da Foz”, “Quem passa por Alcobaça”, “De lá Para Cá” e “Ó Zé Aperta o Laço”, esta foi a que mais me bateu.

“Costureira da Sé” foi um filme (o primeiro filme português onde aparecia um beijo na boca) de 1958, da qual fazia parte esta música, mas já numa outra versão. A original, gravada pela Maria Clara é, segundo o João, de meados dos anos 40.

Aqui fica a minha versão, gravada ontem numa viola cujas cordas já não são mudadas mais ou menos desde esse tempo.

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Reader’s Digest

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em January 30th, 2008

Fado-revista.  As selecções do reader’s digest ofereciam (se calhar ainda oferecem), num produto práctico e compacto, toda uma maneira de estar na vida. É assim como uma espécie de caldo knorr literário.

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Reader’s Digest

Quero a vida pacata que acata o destino sem desatino
Sem birra nem mossa, que só coça quando lhe dá comichão
À frente uma estrada, não muito encurvada atrás a carroça
grande e grossa que eu  possa arrastar sem fazer pó no chão

e já agora a gravata, com o nó que me ata bem o pescoço
para que o alvoroço, o tremoço e o almoço demorem a entrar
quero ter um sofá e no peito um crachá quero ser funcionário
com cargo honorário e carga de horário e um ponto a picar

vou dizer que sim, ser assim assim, assinar a reader’s digest
haja este sonho que desde rebento acalento em mim
ter mulher fiel, filhos, fado, anel,  e lua de mel em frança
abrandando a dança,  descansado até ao fim 

quero ter um t1, ter um cão e um gato e um fato escuro
barbear e rosto, pagar o imposto, disposto a tanto
quem sabe amiude brindar à saude com um copo de vinho,
saudar o vizinho, acender uma vela ao santo

quero vida pacata pataca gravata sapato barato
basta na boca uma sopa com pão com cupão de desconto
emprego, sossego, renego o chamego e faço de conta
fato janota, quota na conta e a nota de conto

vou dizer que sim ser assim assim assinar a reader’s digest
haja este sonho que desde rebento acalento em mim
ter mulher fiel, filhos, fado, anel,  e lua de mel em frança
abrandando a dança,  descansado até ao fim

O homem em mim

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em January 13th, 2008

Para quando uma pessoa se esquece dos anos da catraia.

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O Homem em Mim

Em mim há um homem que
É capaz de tudo por ti
Traz-te um chocolate
E flores do jardim

À hora certa traz um piropo
Que te faz sempre encabular
Abre-te todas as portas
Cede-te sempre o lugar

É assim
é assim
O homem em mim

Em mim há um homem que
Sabe sempre o seu lugar
Sabe muitas coisas
E a hora certa de chegar

Em mim há um homem que
Tem sempre uma solução
Planos contingentes
E um mapa na mão

É assim
é assim
O homem em mim

Mas olhando com cuidado
Dentro do homem em mim
Mora um menino estouvado
Em pequeno benjamim
Sem horas para nada
E que se esquece do teu dia de anos
Na cabeça só tem um soalheiro jardim
Eu no fundo desconfio
(tenho cá para mim)

Que é assim
é assim
Que tu gostas de mim

Porque é assim
é assim
O homem em mim