O Blog Do Mendes

Costureira da Sé

Publicado em Mendes ortónimo por miguelaj em February 5th, 2008

Conheci o João no liceu. Tinhamos 15 anos e a malta juntava-se em casa do Pedro para tocar as nossas versões de Pantera e Sepultura. Depois o João saiu, e veio a primeira banda que eu tive com o marlon, os yellow jello. Depois vieram os tsé tsé. Gravamos um disco na BMG do tozé brito. Foi um disco revolucionário, que de certa forma antecipou o paradigma digital que se avizinhava: o dos Cds que não vendem. A sala de ensaisos do pedro hibernou depois disso. Agora o joão continua a ensaiar na sala do pedro via fading commission, e nas horas vagas vem dar uma canja com os azeites. Sucede que ele é neto de um dos grandes baluartes do nacional cancionetismo. A Maria Clara é avó do joão. Sou grande fã das músicas dela, bem como do género musical a que a associam. Geralmente, o chamado “nacional-cançonetismo” é associado à música do regime, mas eu como nasci em 1978, para mim o regime é quando se corta nos doces e nos hidratos de carbono. Gosto tanto do Zeca Afonso como do João Ferreira Rosa. De todas as musicas que eu ouvi da Maria Clara, entre “Figueira da Foz”, “Quem passa por Alcobaça”, “De lá Para Cá” e “Ó Zé Aperta o Laço”, esta foi a que mais me bateu.

“Costureira da Sé” foi um filme (o primeiro filme português onde aparecia um beijo na boca) de 1958, da qual fazia parte esta música, mas já numa outra versão. A original, gravada pela Maria Clara é, segundo o João, de meados dos anos 40.

Aqui fica a minha versão, gravada ontem numa viola cujas cordas já não são mudadas mais ou menos desde esse tempo.

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4 Responses to 'Costureira da Sé'

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  1. mitchmanu said, on February 5th, 2008 at 6:34 am

    “O primeiro filme português onde apareceu um beijo na boca.”

    Lá fora já era assim…

  2. miguelaj said, on February 5th, 2008 at 6:44 am

    E cá dentro, passou a ser também….

  3. miguelaj said, on February 5th, 2008 at 6:46 am

    (cumpre dizer que a avó do joão pontifiucou da versão “peça de teatro”, dos anos 40. O filme foi posterior, em 1958, com a maria de fátima bravo no papel principal, sem vergonha na boca.)

  4. António Baptista said, on January 2nd, 2011 at 4:00 pm

    Está a dar o filme na RTPMemória e o meu pai, que anteontem ouvi-me a ouvir esta música disse: Eu conheço isso de algum lado… parece-me que era de um filme. (elogiando as fontes de inspiração desta e das restantes musicas que deste site saíram.)
    E hoje veio a correr dizendo: Anda cá ver depressa! Pois, qual não era o meu espanto que oiço a versão do filme com a dita senhora a cantar e a concertina trovadora a acompanhar, qui sas na esperança de um beijo, mas estas personagens tocadoiras nunca se percebe muito bem se apenas por paixão da voz ou se também gostam de quem canta….

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