3 Vídeos
Da estreia do “projecto mendes” ao vivo. Eu achava que mendes era uma alcunha. Sucede que é um projecto, o “projecto mendes”. Obrigado a todos os que compareceram, e ao André é à Júlia, que filmaram estes excertos.
(P.S: o concerto que ia haver na próxima sexta, dia 3 de Julho no Breyner 85, foi adiado. Vai ser num Domingo à tarde, ainda não sei qual. “Matiné com Mendes”, assim será.)
ANDA COMIGO VER OS AVIÕES (c/ o Salsa)
READER’S DIGEST
COSTUREIRINHA DA SÉ (c/ o João Vaz)
Eu Ao Vivo
Meninas e meninos, vou tocar ao Passos Manuel nesta quinta-feira. É a uma hora decente (22h) e a um preço muito jeitosinho (5€).
Apareçam!
Mendes
Os Nomes dos Cafés
Os nomes dos nossos estabelecimentos hoteleiros dizem muito sobre o estado da nossa mentalidade, numa determinada época. Basta olhar para os letreiros dos nossos cafés para intuir que o factor que preside à sua cristanização é sempre um ideal de progresso, uma postura provinciana perante aquilo que é moderno e novo. O provinciano é todo aquele que ama o progresso em todos os seus aspectos externos (formais e acessórios), independentemente do que esse progresso possa representar para a vida práctica. Ora, como o progresso é uma coisa constante da vida, e representa sempre o mesmo em termos essenciais, apenas muda nos seus aspectos visíveis ao olho português. E é precisamente essa parte que parece interessar a quem baptiza os cafés de Portugal. Os letreiros dos nossos estabelecimentos são como que cataventos, que apontam o sentido dos ventos soprados pela modernidade que vem de longe. Existem 4 gerações de cafés. Existe uma 5ª geração, uma espécie de geração zero, uma pré-história do baptismo caféeiro, anterior e exterior a tudo isto. São os cafés culturalmente periféricos. São pequenos negócios de família. Chamam-se Café Barbosa, Café Pereira, Café Central, Café Juventude, Café Estação, Café Artur, e têm nomes correntes e despretensiosos, de uma autitude quase rural perante o progresso: renegando-o. Não pretendem representar nada e os seus nomes são estéticamente ocos. Têm imensa pinta, porque não pretendem ter nenhuma.
1ª Geração: Cafés cujo nome remete para os ideais de glamour, pompa, charme, requinte e grandeza da sua época. Numa altura em que o mundo, culturalmente, era europeu. São cafés amplos e de pé direito alto, com cheiro a café acabado de espremer, empregado de laço e suspensórios, camisa de manga curta e bolso com canetas e bloco de notas lá dentro, um vendedor de cautelas cego ao balcão, um pequeno quiosque que vende revistas e chocolates regina, mesmo à entrada. Café Roma, Café Paris, Café Princesa, Confeitaria Presidente, Café Imperial, Café Império, Café Rialto, Café Mónaco, Café Águia Real, Também não é de todo desprezível um apelo ao nosso próprio império: Café Lusitano, Café Douro e, porque não, Café Lisboa.
2ª Geração: Entramos na geração dos nomes que pretendem atingir o estatuto de prestígio antravés de trocadilhos inteligentes. São os Cafés com nomes compostos por várias palavras conjugadas. Cafés com grades de cerveja empilhadas, caricas no chão, calendários pirelli, veteranos do ultramar mal dispostos ao balcão,e chiclas pirata e gorila em frascos redondos de plástico. São os Café Katekero, Café Vai-e volta, Café Kátespero, Café Douripão, Café Panitejo, Café Maritó, Café Tómizé. É aqui que aparece pela primeira vez um certo apelo turístico, a louvar as virtudes de um clima que potencia o conceito de esplanada: Café A-ver-o-mar, Café Suave Brisa, Café Miratua.
3: Geração. Quando a mundo passa a ser culturalmente americano. Os ventos da modernidade e do ideal de categoria sopram agora desde o outro lado do mar. Estes cafés já foram baptizados por gente mais “culta” e mais “instruída”, gente com o coração no estrangeiro. São os cafés da geração da TV, do sonho americano, dos filmes de hollywood, do homem na lua, dos livros de banda desenhada e dos índios contra caubóis. É a geração de cafés que formaram a minha própria geração. Cafés com setas, hamburgers e fatias de pizza ultracongelada, panikes, toldos lipton e cadeiras de plástico. Pela primeira vez, os nomes dos estabelecimentos deixam de ser em português e, nos casos de maior requinte, estão mal escritos. Café Hollywood, Café Maiami, Café Havay, Confeitaria Popeye, Café Tropical, Café Asterix, Café Dallas, Café Frog, Café Snoopy, Café No-name, Café Rock, Café Stop, Café Space,
4ª Geração. A actual. Com a América na mó-de-baixo em termos de prestígio e pinta, chegamos à tirania da estética do “cool”. Do clean. Do minimal. De milão. De Ibiza. São os cafés com “café” no fim. Lounge Café, fashion café, Cool café, Zen café, VIP café, Silk Café, River Café. Cafés com pouffs espalhados pelo chão e um plasma na parede a emitir o fashion tv 24 horas por dia. O filho do dono dá a cara, é ele o lider espiritual de todo este conceito. O dono, esse, está escondido na copa a contar o apuro e a despachar notas de encomenda. Não se mostra, pois nem sequer sabe pronunciar direito o nome do estabelecimento do qual é proprietário.
Nota: Os nomes avançados a título de exemplo são imaginados. Contudo, em alguns casos, coincidem com exemplos reais. Foi sem qualquer intenção. Mas seria impossível evitar essa coincidência.
Mail do Blogdomendes
Olá caro(a) leitor(a):
Reparei que não havia forma de chegar à fala com o V/ blogger. Já aplaquei o erro:
Qualquer coisinha, é só dizer.
Exultai
Miguel Araújo Jorge
(Mendes)
Canção Caubói
No algarve, terra de coboiadas, há uma placa de auto-estrada que lê o seguinte:
“FARO-ESTE”
Canção Caubói
ouve só os planos que eu tenho para ti
tardes lentas, faro-este (quase Tenessee)
os dois hipnotizados no espiral da tumbleweed
tu no meu alpendre, seca de poeira
embalada pelo swing do balanço da cadeira
ao som duma canção caubói que eu tenho para ti
sing-a-long
ding-a-lin’
Ride on, ride on
With this poor, lonesome cowboy
And this cowboy song
o crepitar da lenha fumegando ao lume
bafo de jack daniels e nodoas de estrume
uivos de lobo e lendas de mohawk
enquanto tu me estragas com mimos e biscoitos
aproveito para limpar o cano da minha 0.38
e assobio esta canção caubói, mais certeira que bodóque
sing-a-long
ding-a-ling
Ride on, ride on
With this poor, lonesome cowboy
And this cowboy song
download (clicar no botão direito do rato e escolher “save target as” ou “guardar destino como”)
Matérias do Coração
MATÉRIAS DO CORAÇÃO
Nada de novo no telejornal
Mais desemprego no nosso quintal
Um homem gasto pela inflação
Morreu com um ataque de informação
Já nada resta do que era de mim
Ha tanto tempo que eu nao sei de ti
E eles não passam na televisão
Destas matérias do coração
Estouros, incendios, inundações
Epidemias e explosões
Soam banais, em comparação
Com estas matérias do coração
A locutora nem quer saber
Do meu amor, que já não me quer
O mundo descamba em informação
Alheio às matérias do coração
Dois continentes que se davam mal
Chegaram a acordo no telejornal
Fizeram as pazes NA televisão
Eu e o meu amor é que não
Desastres, incendios, inundações
Epidemias e explosões
Meros eventos sem dimensão
Ao pé das matérias do coração
O presidente falou pra naçao
Mas eu nao estou em sincronizaçao
Onde é que se desliga o botão
Destas matérias do coração
download (clique com o botao do lado direito e faça “save target as”/”guardar destino como”
O Romântico Autêntico
O romântico autêntico
Apanha as flores que nascem do asfalto
e toma de assalto
o coração de ninguém
O romântico autêntico
De dia deita-se à sombra do triste
Cipestre que não existe
E apanha versos do chão
Do poema que nunca fará
Da cantiga que não cantará
Ao amor que Deus não Lhe dará
E regressa à casa que sabe que nunca terá
Ele é só
Um romântico autêntico
Um tipico Romântico
O romântico Autêntico
Quer lá saber das estrelas, do azul do céu,
do azul do mar
e dos passarinhos na primavera
O romântico autêntico
Apanha as flores que nascem do asfalto
e toma de assalto
Os versos do chão
Do poema que nunca fará
Da cantiga que não cantará
Ao amor que Deus não Lhe dará
E regressa à casa que sabe que nunca terá
Ele é só
Um romântico autêntico
Um tipico Romântico
(e o romântico autêntico não manda flores a ninguém)
(download) clique aqui com o botão direito do rato: save target as/guardar destino como
Blitz

Sonhos
Voltei. Finalmente resolvi a questão do “estúdio em casa”. O material tem sempre razão.
Gravei esta música no “guitalele” do meu sobrinho, que é uma guitarra de dois palmos de comprimento.
Sonhos
Quando a lua chega
Levando o sol cruel
Só a noite me aconchega
No seu terno e doce mel
E eu posso enfim sonhar
Que tu és minha e eu sou teu
Pudesse eu nunca acordar
Deste sonho meu
Sonhos, sonhos
Delírios serenos
Só sonhos me querem bem
Sonhos, sonhos,
Guardasses ao menos
Um sonho para mim também
Só a lua deixa
Que eu seja quem não sou
Para que em sonhos, eu me veja
Com que eu não estou
E eu não quero acordar
Quero ir para onde eu não vou
Pudesse eu nunca mais voltar
Deste sonho meu
Sonhos, sonhos
Delírios serenos
Sonhos que me querem bem
Sonhos, sonhos
Guardasses ao menos
Um sonho para mim também
(download)
Viri’s Theme
O blog do Mendes tem andado muito parado, por motivos de mudança de casa do Vosso blogger. Quando o Vosso blogger assentar arrais em novo poiso, a actividade voltará ao normal.
Entretanto, publico aqui a B.S.O. (banda sonora original) de Viriato & Barcelos, a B.D. da qual orgulhosamento sou co-autor.
Foi a primeira música instrumental que fiz na vida, aqui está ela:
(download)
